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“Chico Cabeludo”

   Francisco de Assis de Souza recebeu o apelido de “Chico Cabeludo” em 1970 quando chegou a São Paulo, com 24 anos de idade, vindo de Juazeiro do Norte, município de Pernambuco.

   Para dizer que não saiu com a cara e a coragem de sua terra natal, chegou a São Paulo de carona com seu amigo Zé do cachete, com 35 cruzeiros no bolso, um maço de cigarros e uma caixa de fósforos. Sem recursos para pagar uma hospedagem, foi levado pelo Zé do cachete, que depois se tornou seu compadre,  para se hospedar na casa do “Chico da viúva”, que lhe recebeu muito bem.

   A primeira chance para trabalhar como cegonheiro foi obtida junto ao conterrâneo Mário Melo Galvão, na época da Transzero, que estava precisando de motorista com prática em cegonha. Sua experiência veio da empresa anterior onde trabalhava com tratores e caminhões.

   Pai de oito filhos, Chico Cabeludo tem dois filhos Carlos e Fred e o neto John Herbert que também seguiram pelo mesmo caminho como cegonheiro.

   “Minha primeira viagem como cegonheiro foi para Brasília, em seguida para Teresina, Belém e Recife. Ficava um mês sem ver minha família sempre viajando por estradas esburacadas e, quando chovia, também com muitos atoleiros. Andava sempre com um cabo de aço no caminhão que servia de socorro para sair dos atoleiros”, acrescentou.

   Embora já tenha deixado de dirigir pelas estradas brasileiras, Francisco de Assis de Souza, mais conhecido como “Chico Cabeludo”, não perde a oportunidade para colocar as mãos no volante. Até hoje dirige o caminhão pipa para levar água do rio São Francisco até sua chácara.

   Hoje com mais de setenta anos, tem orgulho de ser cegonheiro, de ter participado do desenvolvimento econômico do país e de ter uma família abençoada por Deus, a qual é seu maior orgulho, oito filhos, sete netos e três bisnetos!